Os tatames do judô potiguar ganharam um novo significado neste mês da mulher. A Federação de Judô do Estado do Rio Grande do Norte (FJERN) lançou a campanha “Você não está sozinha”, transformando o ambiente esportivo em espaço de acolhimento, conscientização e resistência contra o feminicídio. A iniciativa mobiliza atletas, treinadores, árbitros e colaboradores em torno de uma pauta que ultrapassa as fronteiras do esporte e alcança toda a sociedade.
O alerta vem em um momento crítico: só em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número desde que o crime foi tipificado, em 2015. O dado representa um aumento de 4,7% em relação a 2024, com alta acumulada de 14,5% em cinco anos. A maioria dos crimes acontece dentro de casa, é cometida por parceiros ou ex-parceiros e atinge, sobretudo, mulheres negras. Nesse cenário, vozes femininas do judô potiguar ecoam com força. A árbitra Karol Cavalcante lembra que “ser mulher é um exercício diário de coragem e autenticidade” e defende que cada conquista se transforme em alicerce para um futuro mais justo. A filosofia do judô: cair, aprender e levantar mais forte aparece também nas falas das senseis Joelma Cardoso e Ana Leão, que convocam mulheres de todas as idades a transformar suas lutas diárias em conquistas.
À frente da FJERN, o presidente Herbet Maia (Shaolin) destaca que a campanha nasce de uma responsabilidade coletiva e foi abraçada com entusiasmo pela comunidade do judô: “Essa foi a forma que a Federação encontrou de tentar alertar a sociedade contra essa violência sem sentido contra as mulheres. Contamos com muitas judocas fortes, corajosas e que venceram através do esporte”. Em sintonia com esse movimento, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) também vem reforçando políticas internas de igualdade de gênero, prevenção ao assédio e empoderamento feminino, alinhando o esporte às pautas de proteção e respeito às mulheres.
No campo institucional, o tema também avança. Em Brasília, o Congresso Nacional aprovou recentemente seis propostas de proteção às mulheres, incluindo medida que determina que a vítima só poderá desistir do processo contra o agressor em audiência de retratação, reforçando mecanismos legais de combate à violência de gênero. Enquanto a legislação se aperfeiçoa, o judô potiguar faz a sua parte, mostrando que disciplina, respeito e união, valores que regem a modalidade também podem ser ferramentas poderosas na luta contra o feminicídio. E o recado da FJERN é direto: nenhuma mulher deve enfrentar essa luta sozinha.


