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CARTA DE CLODUALDO BAHIA À IMPRENSA E À SOCIEDADE

O amigo Clodualdo Bahia fez uma carta de próprio punho, no sábado passado e pediu à imprensa que divulgue o seu conteúdo, onde o artista diz que, “estou muito triste e abalado, mas quero que saibam que não me sinto preso, pois quem tem de estar preso são as pessoas desonestas, o que eu sei que não sou. Encho-me de esperança e acredito que a Justiça será feita, como foi feita com outros inocentes que já foram presos, à exemplo dos artistas baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, dentre muitos, que viram calar o brilho da sua arte, mas que com o tempo o brilho voltou, pois suas estrelas não se apagaram, como a minha também não se apagará.”

Segue a carta na íntegra:

Liberdade para ser artista.  Liberdade de expressão.

Ainda bem novo, aos 6 anos de idade, ao caminhar pelas ruas de Salvador – Bahia, a minha cidade natal, com as mãos dadas às das minha mãe Ruth Bahia (in  memorian), eu me encantei com a decoração da cidade para o Carnaval de Salvador.  Era uma época lúdica que ainda se investia em grandes decorações.  Todos os anos, nós, baianos, esperávamos pela decoração nova.  Olhei para minha mãe e perguntei: – Mãe, quem faz essas decorações?  Ela me respondeu: – São os artistas plásticos.  Naquele momento eu acabava de escolher a minha profissão.  A cada ano que passava eu desejava mais ser um artista.  Aos 9 anos iniciei um curso de pintura da Hering que era oferecido num cartaz da escola.  Na turma toda havia mais velhos acima de 25 anos e eu era o mascote da turma.  Aprendi a pintar peças de gesso, tecidos, etc.  Logo veio a minha adolescência e lá estava eu duas vezes por semana indo ao curso de pintura em uma galeria que ficava no bairro da Barra.  

Passei a adolescência aprendendo óleo sobre tela.  E, quando chegava o carnaval, eu circulava pelas ruas do carnaval.  O que encantava não eram os trios elétricos, mas, sim, o colorido dos desenhos.  Fui fazer um curso preparatório para entrar na escola de Belas Artes de Salvador (6 meses) para fazer ainda o teste de aptidão no qual fui aprovado e ingressei na UFBA em 1987.  Lá era o local em que se fazia as decorações do carnaval, pude acompanhar de perto e a cada vacilo dos artistas participantes eu aprendia algo novo só de olhar. Durante os primeiros meses conheci um colega de faculdade que me convidou para juntos começarmos uma empresa que prestasse serviços para decorações variadas, lojas, clubes, etc.

Assim surgiu a Designer Brasil, um ano após nós dois nos mandarmos para Natal devido a transferência de meu cunhado para esta cidade. Após 6 anos o meu sócio se foi e eu toquei a empresa sempre sonhando em fazer o melhor que eu pudesse para tornar a vida das pessoas mais alegre. O meu grande sonho era decorar a cidade de Natal para o Natal, mas nunca tive a oportunidade ou talvez não tenha buscado. Daí surgiram aos poucos trabalhos de decoração para fachadas de lojas nos shoppings da cidade. Ganhei vários prêmios no concurso que a CDL fez juntamente com a Prefeitura de Natal na categoria Shopping Center. Fomos campeões muitas vezes na categoria Prédios Públicos. A Assembléia Legislativa foi dois anos campeã. Logo veio o convite para fazer alguns trabalhos em decorações na cidade de Natal.

Assim cheguei a Guamaré. Fiz o primeiro grande São João daquela cidade. Fiquei muito feliz por ver que aquele antigo sonho se aproximava. Depois veio uma sequencia de outros eventos e dois carnavais. Era feliz de saber que finalmente alguma prefeitura investia na alegria e na beleza que a arte nos proporciona. Mas hoje com o meu direito de ser artista e de praticar a minha arte com exatidão que me é de direito adquirido ao longo de uma vida, só em Natal 25 anos. Tive três trabalhos grandiosos, complexos e desgastantes, nos quais tive que criar e executar peças gigantescas em curtos espaços de tempo… fui arrancado da cama às 5 horas da manhã, via a minha casa invadida por muitos policiais, mais ou menos uns 13. Fui exposto a mídia local como um suspeito de crime e de quadrilha organizada. Sinceramente isso me remeteu a outra época, uma época em que nós brasileiros não tínhamos uma liberdade de expressão, não podíamos nos defender.

Estou muito triste e abalado, mas quero que saibam que não me sinto preso, pois quem tem de estar preso são as pessoas desonestas, o que eu sei que não sou. Encho-me de esperança e acredito que a Justiça será feita, como foi feita com outros inocentes que já foram presos, à exemplo dos artistas baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil, dentre muitos, que viram calar o brilho da sua arte, mas que com o tempo o brilho voltou, pois suas estrelas não se apagaram, como a minha também não se apagará.
Quero pedir à imprensa, hoje livre no nosso país, que divulgue o conteúdo desse meu desabafo, pois nem tudo é como parece, nem todos que possam parecer culpados realmente o são. E que lá na frente quando o processo for julgado e eu for absolvido, que divulguem com a mesma intensidade com que divulgaram no atual momento.

Peço às pessoas que continuem acreditando na minha inocência, e quem puder me ajudar a sair logo dessa situação que faça algo, pois tenho hoje muitas famílias que sobrevivem da minha arte, meus funcionários, tenho 2 crianças que me esperam em casa, meus ‘afilhados-filhos’.

Obrigado a todos que leram esse desabafo e esclarecimento.
Clodualdo Bahia

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